A História da MPB

A Abertura Musical Brasileira


     Com a posse da Presidência da República pelo general João Batista de Figueiredo, iria ter início o tão sonhado processo de abertura, que foi acontecendo lentamente sob diversas formas: Presos políticos foram anistiados, a censura liberou filmes até então proibidos e concedeu maior liberdade de expressão aos artistas. Músicas como "Cálice" e "Apesar de você", de Chico Buarque, puderam enfim ser ouvidas livremente. Nesse contexto, os compositores tiveram um pouco mais de espaço para produzir um trabalho mais compatível com sua madura consciência de realidade, através do qual essa consciência também pôde chegar ao povo. Rita Lee lançou "Arrombou a festa", em que satiriza com muita inteligência a música popular brasileira, quando sob os efeitos da recessão; Elis Regina gravou, de João Bosco e Aldyr Blanc, "O Bêbado e o Equilibrista", que dava uma visão atual e real daquele momento político brasileiro. As músicas surrealistas de protesto tornaram-se mais atuantes, com o surgimento de vários grupos, que procuravam desenvolver trabalhos nesse sentido. Festivais como o do Rio Centro e Primeiro de Maio realizaram-se com o propósito de fazer o povo participar, juntamente com os músicos da compreensão da problemática político-social do país. Com a queda do AI-5, consolidar-se-ia definitivamente a abertura e, a partir de então, a música popular pôde estender-se para além de todos os limites.