A História da MPB

A Instrumentação na Música Popular


     Um dos efeitos provocados na música popular brasileira, no seu sentido de modernização, durante o início da década de setenta, foi a instrumentação, colocada com maior vigor nas composições, em detrimento da letra. Esse movimento tornou-se evidente com o lançamento de inúmeros conjuntos, para os quais a improvisação e a exploração do potencial instrumental eram fator preponderante na obtenção de uma melhor musicalidade. Como exemplo desses conjuntos, citamos os "Novos Baianos", que atribuíam maior relevância à qualidade do som, em cuja produção empregavam guitarras e uma percussão excelente, exibindo assim uma nova concepção musical. Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos são exemplos de grandes músicos que exploraram individualmente os efeitos musicais da instrumentação, realizando profunda pesquisa na diversidade de alternativas que a música popular oferece. Naná Vasconcelos encontrou toda versatilidade musical que procurava, dentro dos padrões de percussão, enquanto Gismonti preocupou-se em dar a música uma nova roupagem, adequada às suas descobertas no campo da instrumentação e experimentação. Um dos movimentos que então tomaram impulso foi o Trio Elétrico, que produz basicamente música eletrônica, na qual a letra tem papel secundário. Essa fase de instrumentação na música popular foi muito benéfica, no que se refere principalmente à modernização de arranjos para sucessos do passado, revelando-os sob nova forma.