A História da MPB

A Revista Pasquim e Os Novos Valores


     Em 1973, seria lançado pela Revista Pasquim o Disco de Bolso, uma iniciativa muito boa, que visava a um ressurgimento da música brasileira, depois do período conturbado por que passara, no fim da década de sessenta e início dos anos setenta. Em seu primeiro número, o Disco de Bolso trouxe ao público, de um lado, sob a interpretação de Raimundo Fagner, cantor cearense novo e desconhecido, a música "Mucuripe", de sua autoria e de Belchior, outra nova descoberta do mundo musical; trouxe, do outro lado, na voz de Caetano Veloso, "A volta da Asa Branca", de Luiz Gonzaga. Seu segundo número apresenta, da parte de Sérgio Ricardo, um dos seus idealizadores, uma mensagem dirigida a Vandré, na qual ele faz uma retrospectiva dos acontecimentos passados nos nefastos anos de repressão de sessenta e menciona o trabalho então realizado por aqueles que haviam regressado do exílio; fala a respeito da junção artística de Vinícius de Moraes, Toquinho e Marília Medalha; do sucesso do novo disco de Johnny Alf, que estava emplacando nas paradas; da fase polêmica por que estavam passando as carreiras de Caetano Veloso e Gilberto Gil e da renovação musical tão reclamada pelo povo.

O Disco de Bolso, além de promover essa renovação musical, incentivou o aparecimento de novos artistas. A exemplo do primeiro número, o segundo exibe mais um novo talento. Trata-se de João Bosco, que interpreta "Agnus Sei". de sua autoria e de Aldyr Blanc. Na outra face, está gravada, na voz de Antônio Carlos Jobim, a famosa "Águas de Março", considerada uma das melhores músicas dos anos setenta. Uma idéia realmente brilhante e longe de tornar-se um movimento político musical, o Disco de Bolso foi acima de tudo uma importantíssima chamada aos novos valores que estavam surgindo no mercado da música no Brasil. A música popular pôde então ser adquirida por um preço acessível, pois os discos eram vendidos em bancas de revistas, numa tentativa de levar diretamente ao povo o melhor da música popular. Infelizmente, a censura interferiu, proibindo a circulação do fascículo-disco, sob alegação de que o projeto abrigava fins políticos. Tal medida entristeceu sobremodo aqueles que só tinham em mente a democratização da música brasileira. Mesmo com sua curta existência, o Disco de Bolso da Revista Pasquim provou ter sido uma eficiente idéia de ressurgimento e renovação da música popular, em função do espaço que abriu para novos e talentosos artistas.