A História da MPB

A Influência da Censura na Música Popular


     Em 1968, o Brasil estava tomado por um clima de agitação e as músicas de protesto se afirmavam, denunciando as constantes crises por que passava o país. Caetano Veloso lançou mão da oportunidade que tal situação proporcionava e compôs "É Proibido Proibir", em que contestava toda a estrutura vigente. Geraldo Vandré seria expulso do território nacional por causa de "Caminhando" e a insatisfação se generalizava rapidamente. Em Salvador, essa insatisfação culminaria com uma revolta estudantil e a violência da repressão de que foi vítima a classe, por parte das autoridades, faria germinar em todo o povo uma profunda consciência da realidade. A impressão que se tinha era que uma guerra civil estava prestes a acontecer. A 13 de dezembro, com uma medida que visava a defender a Revolução e a manter, de qualquer maneira, a soberania nacional, o governo baixou o Ato Institucional nš 5, anunciado pelo então ministro da Justiça, Gama e Silva. A censura tornou-se muito rigorosa e os nossos melhores artistas tinham suas boas músicas proibidas. Chico Buarque foi um dos mais atingidos, tendo, nessa fase, trinta e três de suas letras censuradas. Isso o levou a compor, em forma de canção, um desabafo, em que destilava sua revolta. Trata-se de "Fica", em cujos versos se lê: "Diz que eu não sou de respeito, diz que não dá jeito, de jeito nenhum/ diz que eu sou subversivo, um elemento ativo, feroz e nocivo ao bem-estar comum".

A condição de se fazer música no Brasil estava cada vez mais difícil e a solução encontrada por muitos músicos foi sair do país. Chico Buarque foi para Roma, Edu Lobo foi para os Estados Unidos e Sérgio Ricardo seguiu para o México. Com a posse na Presidência da República por Emílio Garrastazu Médici, o Brasil passou a viver o que se chamou de "milagre brasileiro". A Transamazônica tornou-se realidade, conquistou-se a Copa do Mundo, no México, e, aproveitando-se desse instante mágico de deslumbramento da nação, o governo incentivou uma campanha nacional de ufanismo com frases como "Brasil, ame-o ou deixe-o", "este é um país que vai pra frente", etc. Na música popular, foram gravadas e muito executadas músicas ufanistas como "Eu Te Amo, Meu Brasil", de Don. Infelizmente, esse foi um período crítico de nossa música, pois a repressão nos havia privado do talento artístico de nossos mais brilhantes compositores.