A História da MPB

A Explosão de Roberto Carlos e A Jovem Guarda


     Por volta de 1955, era exibido no Brasil o filme "Sementes de Violência", em cuja trilha sonora destacava-se a música "Rock Around the Clock", executada por Bill Halley e seus Cometas. Na ocasião, o cantor Elvis Presley estava no auge da carreira e, aqui no Brasil, começava a processar-se, com os fenômenos da Bossa Nova, uma conscientização para uma virada na música, gerando um certo conflito de opiniões: Enquanto alguns lutavam pela nacionalização de nossa música, a exemplo dos artífices da Bossa Nova, outros se interessavam mais pela música Americana. No início dos anos sessenta, houve a explosão do Twisty e do Hully-Gully, ritmos que não duraram muito tempo, embora tenham exercido profunda influência numa camada da população brasileira. Com o fim da Bossa Nova, nos últimos meses de 1963, o mundo musical brasileiro abria-se para novas experiências, tendo passado por uma fase de enriquecimento e necessitando inovar.

Foi quando surgiram Os Beatles e o Iê-Iê-Iê, revolucionando a juventude de todo o mundo que, sob sua influência, criou-se o rock brasileiro e iniciaram-se as gravações das versões tropicais de músicas estrangeiras de sucesso. Nesse contexto, Roberto Carlos Braga, então apenas um cantor comum, viria tornar-se, a partir de 1965, o maior fenômeno musical já visto no país. Tudo aconteceu quando a TV Record de São Paulo, necessitando substituir os programas de futebol, realizados aos domingos, cuja transmissão havia sido proibida, colocou no ar, inteiramente voltado para a juventude, o programa Jovem Guarda, apresentado por Roberto Carlos. A agência publicitária que trabalhava aliada à TV Record assumiu ela mesma total responsabilidade pelo programa e investiu vultosa quantia no aprimoramento da imagem de seu apresentador. Em setembro de 1965, aconteceu a estréia da Jovem Guarda, ao mesmo tempo em que eram lançados no mercado consumidor incontáveis produtos com a marca Calhambeque. O sucesso alcançado foi pleno e imediato e Roberto Carlos despontou como um ídolo que prometia acupar indefinidamente o espaço de maior destaque.

Ao findar o ano de 1965, premiou seu público com a música "Quero que vá tudo pro Inferno", que seria sua marca de ídolo. Os dois anos seguintes foram marcados por acontecimentos de peso em sua carreira, a exemplo dos filmes "Roberto Carlos a 300 km por hora" e "Roberto Carlos em ritmo de aventura". Em 1968, despedia-se do programa, dando por encerrado o movimento de participação popular dos mais fantásticos já vistos no país. Mas já havia então conquistado definitivamente o público brasileiro. Apesar de seu talento artístico ser até hoje discutido, Roberto Carlos, juntamente com Erasmo Carlos, Wanderléia, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Rosemary e outros, foi responsável pela sedimentação do Rock no Brasil, após o advento dos Beatles. Numa época em que reinava uma certa inconstância musical, foram suas músicas a mola mestra de um mecanismo que orientou por novos caminhos a música popular brasileira. Suas letras, inicialmente infantis, constituíram uma válvula de escape para os problemas por que estávamos passando, em conseqüência do regime militarista pós-revolução, que seria criticado de maneira mais violenta e direta a partir do tropicalismo.