A História da MPB

Juca Chaves e As Sátiras no Período Revolucionário Brasileiro


     Em 31 de março de 1964, estourava no Brasil uma revolução militar. Estávamos vivendo então um momento muito delicado de nossa História. Nesse período de incertezas, um já conhecido artista brasileiro (Jurandyr Chaves ou, mais comumente, Juca Chaves), tornava-se nacionalmente famoso, ao denunciar irreverentemente em suas composições as irregularidades políticas e sociais do país. Foi seriamente criticado por alguns músicos e por uma parcela da população, em função da divulgação de músicas como "Caixinha, Obrigado" e "O Brasil já vai à guerra", além de outras, cujas letras o colocaram em constantes conflitos com a Censura e o levaram por várias vezes à Polícia. Tornaram-se freqüentes nos jornais manchetes como: "Juca Chaves processado: Cantou música proibida"; "Brasil já vai à guerra levou Juca Chaves à Delegacia"; "Censurado Juca Chaves, letra e música", "Juca Chaves obteve segurança mas foi indiciado em inquérito"; "Processo contra Juca Chaves nas mãos do Promotor Público". Contudo, como ele próprio declarou à Imprensa, o melhor beneficiado com "os atos indignos da censura sou eu mesmo que tenho publicidade gratuita".

E acrescentou: "Amanhã, eu vendo mil discos". Momentos depois, aumentaria para dez mil sua previsão de vendagem Na nossa música popular, o gênero sátira havia sido usado com fins políticos nas memoráveis décadas de vinte, trinta e quarenta, quando ficaram muito famosas "Ai, Philomena" (sátira ao Presidente Hermes da Fonseca), "Ai, Seu Mé" (sátira ao Presidente Arthur Bernardes), "Paulista de Macaé" (sátira ao Presidente Washington Luís). Depois de seu quase esquecimento, Juca Chaves o reviveria em suas composições, reconquistando o mercado com o que tanto agradara a gerações passadas. Com seu estilo inconfundível, estendeu seu sucesso ao exterior, ignorando todas as críticas que lhe eram feitas. Hoje, ainda que compondo outros gêneros, inclusive modinhas e algumas peças de estilo clássico, Juca Chaves continua o expoente da sátira política, na música popular.