A História da MPB

Os Grandes Programas de Rádio


     A partir de meados dos anos quarenta até o início dos anos cinqüenta, o rádio no Brasil atingiria seu ponto culminante com os programas de auditório. Seria a Rádio Nacional a mais importante nesse período. Entre os programas de maior prestígio esteve "O Trem da Alegria", que tinha como radialista Heber de Boscoli. O quadro principal do programa era "O Trio do Osso", formado por Lamartine Babo, Yara Sales e Heber de Boscoli e assim denominado devido ao fato de serem magros todos os seus componentes. Este programa foi tão popular, a ponto de necessitar transferir-se dos estúdios da rádio para o Teatro Carlos Gomes. Nessa fase gloriosa dos programas de rádio, vale ressaltar a figura do grande apresentador César de Alencar.

Seu programa tinha seu nome e também foi tão famoso que os ingressos para o auditório se esgotavam, via de regra, com duas semanas de antecedência. Outro importante apresentador do rádio foi Renato Murce, que deu valiosa contribuição nessa fase histórica. O programa liderado por ele chamava-se "Papel Carbono" e foi o de mais longa duração em todos os tempos. Por ele desfilaram como simples calouros Doris Monteiro, Alaíde Costa, Ângela Maria, Élen de Lima, Hélio Paiva, Almir Sainte-Clair, Joelma, Claudete Soares, Ivon Curi, Ademilde Fonseca, entre outros. Os programas de auditório constituíram um dos maiores fenômenos de massa já registrados e as rádios, ao sentirem o interesse progressivo por parte do público, resolveram criar os gigantescos auditórios.

O maior deles foi o da Rádio Nacional, esta responsável pela produção de mais de 5000 discos. Como grandes programas desta época também são dignos de nota: "A Hora do Pato", mais tarde denominado "Aí vem o Pato", da Rádio Nacional; "Pescando Estrelas", da Rádio Clube, apresentado por Renato Amaral e o famoso "Buzina do Chacrinha", também da Rádio Clube. O Programa César de Alencar, ao completar o décimo aniversário, a 11 de junho de 1955, levou ao Maracanãzinho cerca de 18.000 pessoas. Mas foi a partir daí que os grandes programas de calouros iniciaram sua decadência, dando lugar aos disc-jockeys e seus hit-parades. O Rock and Roll começava a se difundir e o rádio foi, pouco a pouco, perdendo sua força. Contudo, sua influência e sua importância no contexto social nunca desaparecereia, passando para a História como uma das mais belas fases culturais de nosso povo, cuja participação se dava espontaneamente, sem artificialismo.

Devemos enaltecer de uma maneira especial aqueles que muito contribuíram para a glória do Rádio e enriquecimento de nossa cultura popular. Vale ainda lembrarmos os nomes de Manoel da Nóbrega, idealizador e criador do programa "Praça da Alegria",; Haroldo Barbosa, que trabalhou nas Rádios Nacional, Tupy e Mayrink Veiga, fazendo sucesso com os programas "Um Milhão de Melodias", "Calouros da Orquestra", "Volta ao Mundo" (Rádio Nacional), "Viva o Samba", "Viva a Música", "Semana do Rádio" (Rádio Tupy), "O Calouro Nivaldino", "Levertimentos", "A Cidade se Diverte" (Rádio Mayrink Veiga); Fernando Lobo, cujo sucesso no Rio de Janeiro foi conseguido como produtor de programas, sendo responsável pela produção, na Nacional, dos "Clube do Samba", "Pelas Estradas do Mundo", "Este Mundo é uma Bola" e "Caricaturas"; Floriano Faissal, considerado o maior locutor pela Revista do Rádio, que , em 1958, o elegeu o Radialista do Ano.