A História da MPB

Os Carnavais de Lamartine Babo


     No dia 10 de janeiro de 1904, nasceria, filho de Leopoldo de Azeredo Babo e Bernarda Preciosa Gonçalves de Azeredo Babo, aquele que foi para o Brasil, a partir da década de trinta, o seu gênio poético e musical no campo da criação popular: Lamartine de Azeredo Babo, o rei do carnaval brasileiro. Em 1915, Lalá (apelido que lhe foi dado desde pequenino) ingressaria no Colégio São Bento para cursar o ginásio e data dessa época sua primeira manifestação artística.

Compõe então o poema "O Frade Que Pedia Esmola", recebendo o primeiro prêmio de um concurso de poesias instituído na escola. Em 1920, Lalá bacharelou-se em Letras, prestando exame no Colégio Pedro II. Diante da difícil situação financeira em que se encontrava a família desde a morte de seu pai, Lalá começaria a trabalhar como office-boy no Departamento Comercial da Light, recebendo cinqüenta mil réis por mês. Mas Lalá só conseguia se interessar por música, aproveitando as horas vagas do emprego para compor. Passou a ser assíduo freqüentador de teatros de revista e em 1922 compôs uma música para a peça "Agüenta Felipe". Em 1924, sairia pela primeira vez num bloco carnavalesco, "O Tatu Subiu No Pau", cantando a marchinha "Não Sei Dizê", de Eduardo Souto. Entusiasmado com a experiência, resolveu compor suas próprias marchinhas, inicialmente para os ranchos da época. Em 1925, conquistou certo sucesso com "Foi Você".

Em 1927, passou a fazer parte do bloco de um grande compositor carnavalesco, Luiz Nunes Sampaio, o Careca, vencedor dos carnavais de 1920/22/24. Em 1928, Lalá lançaria para o carnaval a marcha "O Calças Largas", parodiando a moda de calças boca-de-sino. Em 1929, estreou no microfone da Rádio Educadora, com sua voz de falsete e, no ano seguinte, vencia o concurso da Revista "O Cruzeiro" com a marchinha "Bota o Feijão no Fogo". Em 1931, ganha o concurso da Casa Edison com a música "Bonde Errado". Somente em 1932, Lalá dominaria completamente o carnaval com o que seria chamado de hino do carnaval carioca: a música "O Teu Cabelo Não Nega", de autoria discutida, tendo os irmãos Valença, de Recife, reivindicado para si os direitos autorais. Em 1933, os foliões cantam "Linda Morena" e pulam ao som de "Moleque Indigesto" e, a partir de então, apareceriam sucessivamente, a cada ano, "Ride Palhaço" (1934), "Grau Dez" e "Rasguei a Minha Fantasia" (1935), "Marchinha do Grande Galo" (1936).

Como a disputa carnavalesca estava então muito acirrada, começou a depender de dinheiro a divulgação das músicas, surgindo, em conseqüência, boicotes e imposições. Nesse ano, Lamartine afasta-se do carnaval para só retornar em 1939 com o "Hino do Carnaval Brasileiro", que apesar do pouco sucesso alcançado foi muito cantada pelos foliões, tendo como concorrentes "A Jardineira", "Tirolesa", "Casta Suzana", "Florisbela", "Meu Consolo É Você" e "Miau, Miau". A partir daí, Lamartine encerraria sua fecunda produção para o carnaval, só voltando a falar no assunto melancolicamente, quando compôs, em 1961, a canção "Ressurreição dos Velhos Carnavais", em cujos versos se lê: "...vem, vem, vem, Arlequim que a tua sina era adorar a Colombina dos carnavais que não voltam mais."