A História da MPB

Pixinguinha e "Os Oito Batutas"


     Alfredo da Rocha Vianna Filho nasceu no Rio de Janeiro, no dia 23 de abril de 1898, numa casa da rua Gomes Serpa, na Piedade, subúrbio carioca. Filho de Alfredo da Rocha Vianna, chorão respeitado, e Raimunda Maria Vianna, o menino Pizindim, depois Pixinguinha, desde cedo estaria ligado à música devido às festas em casa de seu pai, o que lhe deu oportunidade de conhecer os grandes músicos da época. Foi no clima festivo da pensão Vianna, como era conhecida a residência do velho Vianna, que o menino Alfredo tomou gosto pela música, tornando-se aos quatorze anos diretor de harmonia do rancho Paladinos Japoneses e componente da orquestra do Teatro Rio Branco, dirigida pelo maestro Paulino Sacramento.

     Em 1917, quando morre seu pai, Pixinguinha já era respeitado nas rodas boêmias e tinha gravados discos na Casa Edison. No dia 07 de abril de 1919, estréia o conjunto "Oito Batutas" na sala de espera do Cine Palais, na avenida Rio Branco. O conjunto era composto, em sua maioria, por artistas negros e sua estréia foi sucesso absoluto. Sua formação era a seguinte: Pixinguinha (flauta), Donga (violão), Nelson Alves (cavaquinho), China (canto e violão), Raul Palmieri (violão), Luiz Pinto (bandola e reco-reco), José Alves (bandolim e ganzá) e Jacob Palmieri (pandeiro). A sala de espera do Cine Palais logo tornou-se o centro de atração artística do Rio de Janeiro. Para ouvir os chorinhos, sambas e cateretes, aos quais a flauta de Pixinguinha dava especial relevo, lá iam figuras da sociedade e personalidades do mundo político. Entre os famosos freqüentadores dessa sala de espera, estavam Arnaldo Guinle e Ruy Barbosa. Quem ganhou com tudo isso foi o esperto gerente do Cine Palais, Isaac Frankel.